Quem não cresce em um meio “cristão” e depois abandona esse mundo, não entende muito do que eu passo. Não entende a razão de certos comportamentos. Parece que a gente está saindo de uma caverna e começa a ver o mundo pela primeira vez. Parece que estamos realmente sozinhos pela primeira vez na vida. É como descobrir que o Papai Noel não existe, só que pior: deus não existe.
O seu “amigo”, com quem você conversava o tempo todo na verdade não existe, aquele a quem você creditava todas as coisas boas que aconteciam na sua vida. Ele era apenas um amigo imaginário. Agora, você está realmente sozinho no mundo. Essa é a sensação.
Aquele mundo dualista, onde tudo se baseia em céu x inferno, deus x diabo, amor x pecado (...), na verdade não é bem assim. Todo esse ensinamento tinha apenas um único objetivo: manipular você para que você permanecesse naquele universo.
Mas, pensando por outra perspectiva, tem um lado bom nessa história: as SUAS escolhas são de responsabilidade exclusivamente sua (e de ninguém mais) e têm consequências para você e para os seus, sim. Mas sem aquele peso de levar você para o céu ou para o inferno.
Quando eu entendi isso, a minha vida ficou mais pesada e mais leve ao mesmo tempo. Mais pesada, porque agora a responsável pelas minhas metas e decisões sou eu mesma, e não “deus”. Mais leve, porque agora eu não vou mais para o inferno quando tomo uma decisão errada. Tenho que aceitar as consequências dos meus atos, sim, assim como qualquer pessoa, mas agora eu não tenho mais aquele temor do inferno que existia antes.
Eu posso amar quem eu quiser, e ser como eu quiser, pois quem pagará pelas consequências dos meus atos sou eu e as pessoas a quem eu amo. Sem pensar numa possível vida eterna pela frente, porque ela não existe.
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