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Uma noite quase insone

Era quase uma da manhã, mas nada ainda de sono. Liguei a TV. O relógio deu uma hora, uma e meia. O sono começou a dar as caras e desliguei a televisão. Eu estava quase pegando no sono quando algum cachorro na vizinhança começou a latir. Tirei a venda e o protetor de ouvido. Fiquei deitada na cama, no escuro, observando as sombras provocadas pela pouca luz que conseguia atravessar a pequena brecha na cortina. Olhei para o lado. Meus óculos, o protetor de ouvido e a venda pareciam olhar para mim, como se perguntassem: “e aí? Você não vai dormir? ”
Foi quando decidi procurar uns vídeos para relaxar no YouTube. Não podia ter tomado decisão pior. O som de piano usado como música de fundo provocou uma agonia profunda em mim e comecei a chorar. Rolei para o lado e me encolhi, como um bebê, e continuei chorando, ruidosamente. Deixei o vídeo de lado. Depois de vários minutos, consegui me acalmar.
Levantei da cama, andei pela casa. Cheguei até o escritório e espiei a rua pela janela. Nada. Não havia nem vento a balançar as folhas das árvores. Dei alguns passos para trás e fui à cozinha pegar um copo d’água. Espiei a rua pela janela e vi uma figura passando de bicicleta lá na esquina. Quase levei um suto. Voltei para o quarto, deitei na cama mais uma vez.
Fechei os olhos e fiquei ali, imóvel. Quieta. Esperando o sono chegar. Mas não, ele parecia ter ido embora mesmo. Vai ver o bendito cachorro o espantou do quarto de vez essa noite.
Ouvi o motor de uma motocicleta ao longe e abri os olhos. Peguei o celular e olhei a hora. Quase duas e meia da madrugada. E nada do sono. A venda, o protetor de ouvido e os óculos continuavam ali, olhando para mim. Sentei na cama de novo. Levantei da cama, espiei a rua pela janela do escritório novamente, com o mesmo resultado da primeira vez: o mundo todo à minha volta dormindo, e eu aqui, plenamente acordada. Na cozinha não tive nem o indivíduo na bicicleta para me consolar.
Voltei para o quarto. Deitei na cama. Peguei o celular. Mal se passaram cinco minutos. Rolei para um lado, rolei para o outro. E o tal do sono, esse não quis mesmo dar as caras por aqui essa noite.
Chequei as horas no celular mais uma vez. Três e pouco da madrugada. E eu aqui, a pleno vapor. Abro os olhos e não há nem sequer uma brisa para mover a cortina da janela. Resolvi assistir alguns vídeos no YouTube mais uma vez e coloquei os óculos. Um, dois, três, quatro vídeos. Nada do sono.
Deviam ser quase quatro horas da manhã, quando finalmente os olhos começaram a se fechar. Tirei os óculos, fechei os olhos, botei a venda e os protetores de ouvido. A escuridão me cobriu, afinal, e adormeci.

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